Não sei… não sei quem sou, de verdade, não sei porque sou e qual o sentido de ser. Sei apenas que já me senti pequenina ao lado de tudo e de todos. Pequenina e louca, retardada, angustiada, a mal-amada, já me senti parte de um tudo que se resumia a nada. Por vezes, dói, é uma dor que não se explica, ter tudo e faltar sempre alguma coisa, e que coisa? Mais uma vez, algo que não se explica, apenas se sente… sente de uma forma estranha e viscosa que se atravessa na alma, uma sensação de nítida aflição, como querer respirar e não conseguir, sentir aquele medo que se não compara a mais algum, é um turbilhão de um pouco de tudo que me revoluciona quando percebo que “existo”, que “sou”, que o mundo é importante e eu faço parte dele, que os dias são oportunidades que tenho para viver e demonstrar tudo o que sou, ou para procurar tudo o que ainda me falta descobrir.
Muito sinceramente, já não acredito em muita coisa, não acredito que o problema do sentido da vida possa vir a ter alguma resposta… o sentido está precisamente na procura, a procura é que dá um sentido á vida, porque se não procurássemos não seriamos tão humanos como somos, porque a sensibilidade é um factor importante que só existe naqueles que têm medo e amor, e esses é que procuram uma resposta porque amam a vida e querem vive-la, e porque temem o que o futuro poderá revelar. Os que não procuram, nem amam nem receiam. E assim, não se podem considerar seres sensíveis, ou seja, Seres-humanos!

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